Tratamento Dependência Química

A dependência química é uma doença que necessita de cuidados médicos, e doença não se vence, trata-se. Os tratamentos são direcionados de acordo com as necessidades específicas de cada indivíduo, levando em consideração seu perfil e personalidade.

É muito comum que os dependentes recusem-se a procurar um tratamento, acreditando que isso seja uma demonstração de fraqueza ou incapacidade de superar seus problemas. A verdade é que abandonar uma droga a qual se está dependente, não é uma questão apenas de força de vontade, pois o uso frequente da droga provoca uma real alteração no organismo do usuário e por isso precisa ser tratado.

A Dependência Química não é um hábito, nem um vício, muito menos um sintoma de transtorno de personalidade. É uma enfermidade primária crônica, progressiva e de terminação fatal que afeta todos os aspectos da pessoa: físico, mental, emocional, espiritual e social, requerendo uma abordagem que integre e intervenha em todos esses elementos através de um tratamento global.

O objetivo de nosso tratamento é a quebra de padrão de abuso da substância, mas também uma preparação para a reinserção do paciente na sociedade, no exercício da sua cidadania e do seu papel familiar, conscientizando-o de sua enfermidade e de sua cronicidade, colocando-o na posição de responsável pela manutenção constante da sua recuperação.

Dependência química – Diagnóstico (conceitos básicos e classificação geral)

O conceito de dependência química, apesar de variado, ainda não encontra um padrão. A dependência, portando, tem sua definição dividida em quatro modelos:

Modelo de doença – a dependência química como transtorno primário e independente de outras condições, uma herdada suscetibilidade biológica aos efeitos do álcool ou drogas. As principais características da dependência, de acordo com esse modelo são: a perde de controle sobre o consumo de álcool ou drogas; a negação; o uso continuado a despeito de consequências negativas e um padrão de recaída.

Modelo de comportamento aprendido – este modelo vê a dependência química como um comportamento adquirido, pois se acredita que os comportamentos são aprendidos ou condicionados. Logo, nele os problemas comportamentais, incluindo pensamentos, sentimentos e mudanças fisiológicas poderiam ser modificados pelos mesmo processos de aprendizagem os criaram.

Modelo psicanalítico – a dependência é entendida como tentativa de retornar a estados prazerosos da infância. Esta teoria vê o uso (álcool e drogas) como uma forma em que o -indivíduo tenta se adaptar a seu déficits de auto-regulação,que emergiram de privação ou de interações disfuncionais na primeira infância. Essas teorias têm sido rotuladas como “hipótese de auto medicação“. De acordo com essa hipótese,algumas deficiências do indivíduo poderiam levar a problemas com abuso de substâncias: como os déficits de tolerâncias aos afetos, os prejuízos nas habilidades de auto proteção, a vulnerabilidade no desenvolvimento de auto estima e os problemas na construção de relacionamentos e intimidade.

Modelo familiar – correlaciona a dependência química com padrões familiares.Este modelo contribuiu muito para o entendimento da dependência, principalmente no que diz respeito ao conceito de equilíbrio e à importância das regras e metas que governam os relacionamentos familiares e como elas contribuem para a manutenção de uso de substancias.

Dependência química – um problema biológico, psicológico, social, cultural e espiritual.

Há um quinto modelo que concebe a dependência química como sendo um fenômeno biopsicossocial.

Este modelo tenta integraras contribuições de todos os quatro anteriores em uma teoria unificada.

Parece haver um componente biológico herdado nos transtornos de abuso de substâncias, mas este componente isolado não explica a complexidade do fenômeno. Fatores psicológicos, sociológicos,culturais e espirituais desempenham um importante papel na causa, curso e resultados da dependência química.

Conceito de dependência química: Uso esporádico, abuso e dependência.

Não existe uma fronteira clara entre uso, abuso e dependência; todavia, esses conceitos são assim distinguidos;

Uso: qualquer consumo de substâncias psicoativas, seja para experimentar, seja esporádico ou em episódios distintos
Abuso: É o uso nocivo, onde o consumo de substâncias já está associado a algum tipo de prejuízo (biológico,psicológico ou social);
Dependência: consumo sem controle, geralmente associado a problemas sérios para o usuário e com prejuízos reais a saúde física, financeira, psicológica, social e mental.

Estes conceitos passam uma idéia de continuidade,como uma evolução progressiva entre esses níveis de consumo: os indivíduos passariam, inicialmente, por uma fase de uso, alguns deles evoluiriam posteriormente para o estágio de abuso progride para a dependência.

O uso precoce, porém, tende a gerar problemas futuros mais sérios. É válido lembrar, contudo, que não existe fatos que determine se as pessoas se tornarão dependentes

Dependência química – critérios diagnósticos

Os critérios para diagnosticar a dependência química de acordo com o DSM-IV, dependência de substâncias é:

Um padrão desadaptativo de substância, provocando comprometimento ou sofrimento clinicamente significante, manifestado por três (ou mais) dos seguintes, ocorrendo a qualquer tempo no mesmo período de 12 meses:

Tolerância, definida por qualquer dos seguintes:

-Necessidade de quantidades marcadamente maiores da substância para atingir a intoxicação ou o efeito desejado
– Efeito marcadamente diminuído com o uso continuado da mesma quantidade da substância.
Abstinência, manifestada por qualquer dos seguintes:
– Síndrome de abstinência característica da substância.

– A mesma substância (ou aproximadamente relacionada) é utilizada para aliviar ou evitar sintomas de abstinência.

A substância frequentemente é utilizada em quantidades maiores ou por um período de mais longo do que pretendido.

Há um desejo persistente ou esforços sem sucesso para diminuir ou controlar o uso da substância (por exemplo visitando múltiplos médicos ou dirigindo longas distâncias), utilizando (por exemplo fumando um cigarro depois do outro) ou se recuperando dos seus efeitos.

Atividades sócias, ocupacionais ou recreativas são abandonadas ou reduzidas devido ao uso da substância.

O uso da substância é mantido apesar do conhecimento da ocorrência de problema físico ou psicológico recorrente ou persistente que provavelmente foi causado por exacerbado pela (por exemplo, uso atual de cocaína não abstante ou reconhecimento de depressão induzida por ela, ou ingesta alcóolica continuada apesar do reconhecimento quem uma úlcera piorou consequência do consumo de álcool).